Motorista que recebeu R$ 131 milhões por engano espera há 1 ano por indenização
Um erro bancário em 2023 resultou no depósito de R$ 131 milhões a conta de Antônio Pereira do Nascimento, um motorista de turismo que vive em Palmas. Ao perceber a quantia milionária, que permaneceu disponível por cerca de sete horas, ele procurou a instituição financeira imediatamente e realizou a devolução total e voluntária do dinheiro.
Clique aqui para seguir o canal do g1 TO no WhatsAppAntes desse erro, o saldo na conta de Antônio era de R$ 227. Em 2024, o motorista entrou com uma ação judicial pedindo uma recompensa e indenização por danos morais. O caso ainda aguarda julgamento na Justiça do Tocantins.
“Trabalho para comer e não peguei nada, devolvi o dinheiro para eles [o banco], e eles não me deram nada. Eu considero o banco como desonesto. A vezes penso: ‘Se eu soubesse que isso ia dar tanto pepino, eu ia era gastar esse dinheiro mesmo.’ Mas eu não gosto de pegar nada dos outros”, afirmou.
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Antônio Pereira ficou milionário por sete horas
Reprodução/TV Anhanguera
Batalha judicial e pedidos de indenização
A ação de Antônio contra o Banco Bradesco tramita na 6ª Vara Cível de Palmas, baseia-se nos seguintes pontos:
Direito de Recompensa: Fundamentado no Código Civil para quem restitui algo achado, a defesa pede 10% do valor devolvido, o que totaliza aproximadamente R$ 13,1 milhões.
Danos Morais: O motorista solicita R$ 150 mil de indenização, alegando ter sofrido pressão psicológica, abalo emocional e exposição indevida após o episódio.
O banco informou que não comenta processos em andamento.
Consequências e impactos na vida do motorista
Apesar da atitude honesta, Antônio relata que o episódio trouxe frustrações e prejuízos:
Cobranças indevidas: O banco classificou a conta do motorista como ‘VIP’ devido ao saldo temporário, o que aumentou automaticamente as tarifas bancárias de R$ 36 para R$ 70 sem sua autorização.
Hostilidade social: Antônio relata que passou a ser alvo de comentários maldosos e ofensivos, sendo chamado de “besta” por diversas pessoas por não ter ficado com o dinheiro.
Pressão psicológica: O motorista também afirma não ter recebido agradecimento formal do banco e sofrido pressão psicológica para devolver o valor.
Tentativa de golpe do “Falso Advogado”
A exposição do caso atraiu criminosos, e Antônio quase foi vítima de uma fraude. Um estelionatário utilizou dados reais do processo judicial e fotos do verdadeiro advogado do motorista para tentar cobrar uma “taxa” fictícia de liberação dos valores da causa. O motorista desconfiou da abordagem quando lhe pediram dinheiro, pois seu advogado não cobrou taxas antecipadas.
Situação atual e planos
O processo judicial está em fase avançada e, em março de 2026, a Justiça decidiu pela dispensa do depoimento de testemunhas, indicando um julgamento antecipado.
A defesa de Antônio apresentou recursos pedindo esclarecimentos sobre essa decisão, que seguem em análise.
Caso receba a recompensa, Antônio, que continua trabalhando intensamente para sustentar sua família, pretende realizar objetivos modestos: reformar sua casa e comprar uma van nova para continuar exercendo sua profissão.
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Fonte: G1 Tocantins
